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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Brazil Game Show 2015 e o paradoxo da celebridade da Internet

Por Fernando Jácomo

De forma organizada, a BGS 2015 apresentou diversos stands em um formato muito parecido ao apresentado no ano anterior. Até mesmo alguns stands pareciam exatamente os mesmos, porém com novos games. Dessa vez, o mesmo jogo podia ser jogado em diversos lugares (como o caso de Street Fighter V e Star Wars Battlefront). As filas aparentemente menores (fui no feriado do dia 12) estavam mais organizadas e permitiam mais dispersão das pessoas. Um evento tranquilo com bons lançamentos mas esse não foi o detalhe que mais chamou a atenção...

Como vender um produto?

Novos espaços foram criados, incluindo o questionável Meet and Greet do You tube, onde os fãs subiam até um ponto, cumprimentavam seus artistas da web (youtubers) e desciam por um escorregador. A ideia de apresentar a Web-Celebridade dessa forma me fez pensar em muitas coisas.

Primeiro vamos separar o joio do trigo: existe o youtuber que produz conteúdo de qualidade e aquele que não consegue produzir nada de relevante. Mas se toda a tecnologia e inteligencia coletiva colaborarem, a própria ação de likes, comments, shares e views serão suficientes para auxiliar no filtro desse grupo ruim.

A celebridade da web é hoje aquela que fala com o publico consumidor. Fala com as crianças e com a nova-velha audiência da onda digital. É o "internauta" que nossos políticos falam.

Hoje, o jovem não assiste mais televisão, e o mesmo aparelho está fadado à extinção em tempos de Netflix e Youtube onde diversos famosos estão saindo da TV e buscando mais espaço na internet como é o caso de Rafinha Bastos e Maisie Williams (a querida Arya de Game of Thrones). Eles influenciam compras e escolhas. Nada mais justo do que dar à eles um espaço adequado para se aproximar de seus fãs - apesar de existirem aqueles que não entenderam ainda sua própria "fama" volátil à likes.

Quem é esse comunicador? 

De imediato ... ele não é o comunicador como conhecemos. Na maioria das vezes são pessoas tímidas com dificuldades de falar em publico. São pessoas que falam muito em frente às câmeras, mas quando chegam à alguma audiência, pouco falam. Na maioria das vezes, falam algo rápido, sorriem, tiram fotos (ou selfies) e horas depois voltam à WEB, para agradecer o carinho.

Há exceções. Na própria BGS 2015, Jovem Nerd e Azagal (Youtubers e Trintões) animaram o publico durante 3 dias, trabalhando muito e lidando com uma audiência grande. Segurando o ritmo como conseguem. 

Mas na grande maioria, o primeiro comportamento é comum e veja bem, não há estranheza alguma nisso, pois esse é um comportamento padrão do jovem - visto por psicólogos e pais como o fim da humanidade e um crime à socialização do individuo. Nem mesmo isso é sinal de que o canal do tímido-famoso é ruim. Hoje podemos escolher ficar do lado dos retrógrados criticando ou abraçar a causa e tentar melhora-la (seja produzindo ou apenas curtindo).

O que espanta são casos como de apresentadores, que tinham o publico em suas mãos, mas mandam tamanhas pérolas. A própria empresa do stand não se ligou ao colocar o colega lá. É como se o ser buscasse o glamour da TV e esquecesse que aquele palco não é mais dele. Triste é ver Youtubers que se acham a quarta pessoa da santíssima trindade e sequer acreditam que a sua fama é sustentada pelo ego. Não agradecem aos fãs e estão lá para brilhar, assim como as desprezíveis BBBs que tem o talento de ser bonita. Eles não se ligaram e tendem a falar baboseiras na Internet e ao vivo. Sorte que são a minoria.

As empresas não precisarão nem filtrar algumas presenças nos próximos anos. Como disse antes, a soma de likes, comments, shares e views darão a sentença da sub-celebridades e o futuro será definido e a velha e real relaçao  'trabalho x salário' ditará o futuro destes. .

Há muito espaço! Ou os ruins se reinventam ou terão que sair na Sexy/G ou, em tempos digitais, no Porno Tube mesmo..

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Video Games Live 2015 - 10 anos - Review

Resultado de imagem para vgl brasil 2015Sem a empolgação de 10 anos atrás onde a VGL chegava a passar por 3 capitais brasileiras em uma única turnê, a VGL 2015 surpreende e nos faz lembrar porque gostamos tanto dela.

VGL - Um projeto arriscado

Video Games Live de Tommy Talarico é hoje um projeto não só genial como também arriscado e volátil ao seu tempo. O musical que reúne apresentações instrumentais de diversas franquia dos games, que hora tenta se provar como arte à si mesmo, apresenta um setlist de arranjos que dependem de diversos acordos comerciais que vão desde licenciamento até uma despesa com uma equipe tão complexa quanto qualquer show de rock internacional.

No Brasil, com o apoio da nossa amada e odiada Petrobras (que recebeu seus respeitosos aplausos durante o show) e da orquestra Vila-Lobos e tem pelo segundo ano consecutivo o Teatro Bradesco como suporte.  

Toda essa estrutura é palco (literalmente) para um belíssimo show, porém caro. Bem caro! Em tempos de crise a VGL 2015 tinha o desafio de honrar os ingressos vendidos e mostrar porque há 10 anos está no mercado - de forma invicta em São Paulo.

Como sair da mesmisse?

Quando o show se iniciou e o carismático Tommy toca o tema de Castlevania (para ele é obrigatório e ritualístico) muitos pensaram: "ok, mais um show com as mesmas músicas". Isso se reforçou mais ainda quando o 'mestre de cerimônia' diz que tocará as melhores músicas dos últimos 10 anos. 

Com o suporte da maestra e compositora Eimear Noone e da multi-instrumentalista Laura Intravia, o show começa com clássicos como Megaman e Skyrim com quebras incríveis como o tema de Donkey Kong na flauta e o som de abertura de Metal Gear Solid 3, 'Snake Eater', digna de qualquer trilha de 007. A primeira parte termina com o tema de Tetris no ritmo costumeiro. Nada de muito novo aos fãs de longa data.

Porém, na segunda metade, o nível se eleva e Tommy para de brincar. O ato inicia-se com uma versão já conhecida de Street Fighter e passa para o ramo de trabalho de Eismer como compositora da Blizzard com Heartstone e World of Warcraft onde a orquestra e um vídeo da cantora e youtuber  Maluka se misturam em um único som. Uma experiência quase única que extrapola os limites do que acontece ali. (uma versão pode ser conferida aqui)

Talarico toca as músicas dos aclamados Grim Fandango, ICO e Command & Conquer Red Alert (inédita no Brasil) e apresenta o tema mais pedido pelos fãs ao redor do mundo e inédita em todas as turnes: Ace Attorney junto com a promessa de uma versão instrumental exclusiva de Top Gear - culpa dele que apresentou uma versão em piano na VGL de 2012.

Por fim, um dos membros da família Lima sobe ao palco e a clássica One Winged Angel de Final Fantasy VII é performada ineditamente com direito a solos de celo. Tommy recebe uma bandeira do Brasil e se emociona para o encerramento 'The cake is a lie".

A sensação pós-show é que valeu a pena e o nível se elevou consideravelmente. A expectativa para 2016 será maior.

Nota (1-5): 4,5
O melhor: World of Warcraft e a maestra Eismer (certos momentos ela rouba a cena flutuando no ar suas mãos)
O pior: Precisa mesmo de um concurso de cosplay no início do show?


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